(D)o alto
É sobre a imagem da multiplicidade de planos direcionais da paisagem da cidade que se desenvolve a ideia para o céu de Belo Horizonte. Uma ideia que se pauta em modificar um plano pouco explorado, a partir da imagem que os dirigíveis geram no (para o espectador) e do (para o usuário) panorama urbano.
É, ao mesmo tempo, um alerta em dois sentidos. Em primeiro, à necessidade do habitante do espaço urbano de observar a cidade como um todo, em todos os seus patamares, novos níveis construídos e elevados pelo homem através dos grandes prédios, e em todos os seus planos de visadas – como ver a Serra do Curral a partir do começo da Avenida Afonso Pena, ou todo o complexo da Pampulha a partir da barragem. Olhar para baixo e ver o tecido urbano lá de cima; olhar para o alto, e alcançar o estrato máximo dos núcleos da cidade.
Em segundo lugar, é o alerta no sentido da mobilidade no ambiente urbano, que vem sendo um problema em nossos tempos. É uma dificuldade que vem tentando ser sanada por soluções de curta duração – ampliações de vias arteriais, criação de alças, viadutos, trincheiras; obras e caos no tráfego de toda Belo Horizonte.
Um sistema de transportes por dirigíveis vem utilizar o estrato aéreo da cidade, um espaço que lhe pertence e do qual se tira tão pouco proveito. Vem, mais que isso, aproveitar espaços residuais, ou com grandes áreas livres, em prol de sua própria existência. Os pontos de paradas das linhas propostas correspondem, entre outros, a terrenos vizinhos a aeroportos –Confins e Pampulha –, heliportos existentes – Cidade Administrativa do Estado –, topos de edifícios, ou estruturas agregadas a esses – regiões da Savassi e Belvedere –, parques e espaços gramados – Jardim Zoológico, Parque do Betânia –, terrenos próximos a linhas de metrô – Horto, Venda Nova. Agrega, ainda, relações com a Região Metropolitana e com os núcleos históricos de Minas Gerais, tornando-se um meio alternativo de transporte de trabalho e de turismo, respectivamente.
(texto para trabalho “uma ideia para o ceu de bh” escolhido para a exposição “Escola de Arquitetura 80 anos: lembranças do passado, visão do futuro”)